A história da Estação de Cachoeira Paulista

A cidade de Cachoeira Paulista, no interior do Estado de São Paulo, abriga uma das mais magníficas construções ferroviárias da história deste país. A Estação de Cachoeira Paulista é tão imponente, bela e grandiosa que mesmo estando completamente abandonada e com pedaços que podem desabar a qualquer momento, encanta os olhos de qualquer pessoa que passa pelo local.

BREVE HISTÓRICO:

Inaugurada em 1875, com o prédio atual datado de 2 anos depois, em 1877, a Estação de Cachoeira Paulista foi inaugurada sob grandes festejos e comemorações pois marcava o ponto de encontro entre dois importantíssimos ramais ferroviários do Brasil, a Estrada de Ferro do Norte (também conhecida como Estrada de Ferro São Paulo – Rio) com a Estrada de Ferro Dom Pedro II, que vinha desde a cidade do Rio de Janeiro.

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A Estação de Cachoeira Paulista nos anos 1940.

Apesar do encontro entre as duas importantes ferrovias que ligavam os importantes centros urbanos do país, o “encontro” ferroviário tinha problemas, principalmente pelo fato de cada linha possuir uma bitola diferente. Este problema só começaria a ser sanado em 1896, já na república, quando a linha já havia incorporado a falida Estrada de Ferro do Norte e se tornado a Estrada de Ferro Central do Brasil (EFCB), sendo que o trabalho de padronização da bitola só seria concluido no século XX, em 1908, três décadas depois da inauguração da estação.

A lentidão na unificação da bitola entre as duas linhas foi fatal para a produção cafeeira da região. Muitas cidades prósperas, mas não exatamente próximas da estação, foram prejudicadas com o alto custo de frete e das taxas de baldeação entre as ferrovias, tornando a produção do café nestes locais pouco competitivas. Isso fez com que algumas cidades entrassem em franca decadência e fossem abandonando o café, perdendo para a produção mais competitiva do oeste paulista. Isso ocorreu em cidades como Jataí (extinta), Areias e São José do Barreiro, que seriam alguns anos mais tarde retratadas na excelente obra de Monteiro Lobato, Cidades Mortas.

Velho cemitério esquecido à beira da Rodovia dos Tropeiros, resquício das cidades mortas ?

Esta estação de Cachoeira Paulista, inicialmente chamada apenas de Cachoeira e posteriormente de Valparaíba, continuaria em funcionamento até o final do ano de 1998, quando o transporte ferroviário de passageiros entre São Paulo e o Rio de Janeiro foi encerrado. Era o início da decadência da estação.

A ESTAÇÃO ATUALMENTE:

Há 14 anos sem operar como uma estação ferroviária, a Estação de Cachoeira Paulista hoje é um dos grandes exemplos de como o Brasil dá as costas para sua história e também para a sua memória ferroviária. Localizada praticamente às margens do Rio Paraíba, nem mesmo esta posição privilegiada parece animar autoridades estaduais, municipais ou mesmo a concessionária MRS, que opera a via férrea, a restaurar a estação.

Em virtude disso, o imóvel vai se deteriorando cada vez mais tornando-se difícil uma eventual futura recuperação. No prédio da estação não há mais vidros, portas e janelas há muito já foram roubadas e o prédio resiste à própria sorte, graças principalmente ao fato de ser uma estação cuja construção é bastante robusta.

Parte dos azulejos hidráulicos ainda resistem no interior da estação (clique para ampliar).

No interior da estação a situação é desoladora (vejam fotos na galeria ao final do texto). O teto praticamente já ruiu por completo em todas as suas dependências, e o pouco que resta no salão central está com o madeiramento totalmente podre e pode cair sobre a cabeça de qualquer pessoa. As luxuosas escadas de madeira que levavam aos andares superiores da estação desmancharam de tão podres, outras foram cortadas e levadas por vândalos. Por fim, os azulejos hidráulicos ainda resistem, “protegidos” pela espessa camada de pó e lixo que se acumula sobre o chão (é importante notar que os tons de cores dos belíssimos azulejos são diferentes a cada sala).

É lamentável encontrar esta antiga e importante estação ferroviária completamente abandonada pelas autoridades paulistas. Vale lembrar que o imóvel é tombado pelo órgão estadual de preservação do patrimônio histórico, o CONDEPHAAT. Isso parece não preocupar nem um pouco a MRS que é a responsável pela estação e que deveria mantê-la ao menos em condições mínimas de uso. A Cidade de Cachoeira Paulista perde com eventuais ganhos turísticos, o Brasil perde com a sua história que desaparece.

Depois das cidades mortas, temos as estações mortas. O que diria hoje nosso saudoso Monteiro Lobato ?

Confira a galeria de fotos da estação (clique no link para ampliar):

Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento Foto: Douglas Nascimento Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento Foto: Douglas Nascimento Foto: Douglas Nascimento
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Foto: Douglas Nascimento Foto: Douglas Nascimento Foto: Douglas Nascimento

Fonte http://www.saopauloantiga.com.br/category/imoveis-sp/tipo/estacoes-...

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Comentário de Anderson Nascimento em 4 dezembro 2012 às 22:18

Bela postagem Edson. Retrato do  descaso!

Comentário de Bruno Crivelari Sanches em 3 dezembro 2012 às 21:45

Essa é aqui do lado. Infelizmente fui assistindo a decadência dela, desde quando era operacional, até o abandono pela MRS e o governo e sua depredação inevitável. Ainda lembro da RFFSA e a MRS (por pouco tempo) usando ela como estação. Tinha até painel de sinalização. 

O mais interessante que esta tombada a mais de 30 anos e isso não serviu para nada.

Agora, duvido que seja de responsabilidade da MRS, a MRS repassou todas estações de volta ao governo logo no inicio da sua concessão. 

Outro fato interessante, a meses a MRS começou um projeto para fazer parcerias com as prefeituras para restaurar estações, sei que estiveram em Cruzeiro e Cachoeira, além de muitas outras, mas até agora acho que não saiu nada.

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