Ferrovias vão ganhar mais espaço na matriz

O modal ferroviário deve aumentar sua presença na matriz de transportes.

Com mais de três mil quilômetros de trilhos em construção e mais de R$ 80 bilhões de investimentos nesta década, um novo horizonte se abre para o setor metroferroviário. Um exemplo que confirma essa tese está no recente programa de concessões ferroviárias e rodoviárias lançado pelo governo federal, que prevê R$ 133 bilhões em obras nesses dois segmentos em 30 anos, dos quais 70%, ou R$ 91 bilhões, serão direcionados a projetos ferroviários. Nas contas do governo, R$ 56 bilhões serão aplicados em cinco anos, e R$ 35 bilhões nos outros 25 anos.

O programa também trouxe novidades em relação à regulação, quebrando o monopólio no uso das estradas de ferro, o que deverá estimular o ingresso de novas empresas no segmento. Pelas novas regras, o governo federal será responsável pela contratação da construção, da manutenção e da operação da ferrovia. A estatal Valec comprará a capacidade integral de transporte e fará oferta pública dessa capacidade para os usuários que queiram transportar carga própria, para operadores ferroviários independentes e para concessionárias de transporte ferroviário.

Haverá separação entre o responsável pela infraestrutura física e o usuário e a criação de um novo player no setor: o operador. Os investidores terão acesso à linha de financiamento com juros de TJLP, acrescida de até 1,0%; carência de cinco anos, e amortização em até 25 anos. "A separação entre a empresa que cuida da infraestrutura física e o operador de transporte sobre trilhos abre o setor para potenciais novos investidores. Temos ouvido muito interesse de empresas que já estão olhando isso, de prestadores de serviços logísticos a empresas do setor siderúrgico que querem movimentar suas cargas pelos trilhos", afirma Paulo Fleury, diretor do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos).

O programa de concessões foca um dos maiores gargalos logísticos do Brasil: o acesso ferroviário ao Porto de Santos, que movimenta cerca de 20% do comércio exterior do país. O Ferroanel - um anel ferroviário que circundaria a região metropolitana de São Paulo, retirando a circulação de cargas da linha de passageiros - está entre as obras que estão listadas para serem tocadas em parceria com a iniciativa privada. A expectativa é de que a licitação seja realizada no primeiro semestre de 2013.

O modal ferroviário deve aumentar sua presença na matriz de transportes. Hoje estima-se que 61% das cargas sejam transportadas pelas estradas e 21% delas por trilhos, mas, se não fosse contabilizada a movimentação de minério de ferro pelas ferrovias, o modal responderia por 5% do transporte de cargas, enquanto as estradas passariam a representar 73%.

Mas as obras continuam. No Nordeste, a Nova Transnordestina - um investimento que deverá superar R$ 5,4 bilhões e interligará a cidade de Eliseu Martins (PI) aos portos de Suape (PE) e Pecém (PE) - está avançando. A ferrovia poderá criar uma nova opção de escoamento para a nova fronteira agrícola do Maranhão e Piauí e atrair novas cargas para os trilhos, como fabricantes de cimento e produtoras de combustível.

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Comentário de Samuell Alexandre em 21 novembro 2012 às 18:33

uma coisa intrigante é a seguinte afirmação:

''O programa de concessões foca um dos maiores gargalos logísticos do Brasil: o acesso ferroviário ao Porto de Santos, que movimenta cerca de 20% do comércio exterior do país.''

 

que o referido porto movimenta (o maior da América Latina) cerca de 20% do comércio, isto ninguém duvida, até, na minha opinião os números são modestos levando-se em conta a tamanha quantidade de cargas que entram e saem do mesmo. agora que o porto possui ''gargalos'' ferroviários isso não tem fundamento nenhum e posso provar com algumas imagens de satélite do google earth e o mapeamento das ferrovias feito por mim:

1° - o Porto de Santo é servido por 3 (TRÊS) ferrovias literalmente, que são:

1 - Ferrovia Mairinque-Santos (ferrovia em amarelo que vem no sentido noroeste-sudeste);

2 - Ramal Juquiá (ferrovia em azul que vem no sentido sul-nordeste);

3 - Ferrovia Santos-Jundiaí (ferrovia em amarelo que vem no sentido Norte-Sul).

existe uma 4ª ferrovia que termina do outro lado do Estuário de Santos e é o Ramal de Guarujá.

as ferrovias Santos-Jundiaí e Mairinque-Santos estão conectadas ao norte pelo Ramal de Cubatão.

o gargalo na verdade se chama: Cara de Pau de nossos governantes que fazem de tudo (e mais um pouco) para justificar obras com fins sombrios e totalmente desnecessárias: isto é atrativo para corrupção.

pode-se perceber nas imagens abaixo que, o que não falta é ferrovia servindo ao porto, mas falta vergonha na cara de nossos governantes.

as linhas em azul caracterizam ferrovias abandonadas, em tempo: Ramal de Juquiá e o trecho terminal da ferrovia Mairinque-Santos. as linhas amarelas indicam as ferrovias em atividade e as vermelhas dois absurdos imensos:

o primeiro é a eliminação do grande pátio ferroviário da estação de Santos com direito a retirada de todos os desvios, trilhos, dormentes etc.

o segundo é a eliminação de um trecho original da linha, em um ponto crítico na Serra do Mar, da Ferrovia Santos-Jundiaí, onde exatamente no mesmo local (alguns metros mais abaixo apenas) construíram uma variante, abandonando uma série de pontes e túneis que foram cuidadosamente construídos a custos altíssimos bancados pelo Barão de Mauá (dizem as más línguas que fora exatamente a construção desse trecho que levou o empresário à falência!?), ou seja, poderiam ter mantido o trecho original, mesmo construindo a variante abaixo deste, o que seria uma boa forma de duplicar a referida ferrovia em um trecho tão acidentado aumentando sua eficiência de transporte, mas não, acabaram com tudo.

e agora? existe gargalo mesmo??? diante de fatos e fotos!! DEVERIAM CRIAR VERGONHA e reativar o Ramal de Juquiá e o trecho terminal da Mairinque Santos além da total reconstrução do pátio ferroviário na estação de Santos e do traçado original da santos-Jundiaí no trecho da serra em operação conjunta com a atual variante ao invés de inventarem ''gargalos'' onde na vedade existe abandono e depredação do patrimônio público com o aval do Estado.

o maior gargalo do Brasil tem vários nomes: prefeitos, vereadores, deputados estaduais, federais, senadores e presidente da república. gente que deveria cuidar e zelar pelo cumprimento das leis e normas deste país fazem exatamente o contrário e o resultado está aí, nas imagens abaixo... 

crédito das imagens de satélite: Google Earth.

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