Amantes Da Ferrovia

Apaixonados por trem

O próprio governo produzia filmes para tentar convencer a população de que estas desativações ferroviárias eram a "coisa certa a ser feita". Vejam, por exemplo,Esse Filme.
CONDENADOS PELO PROGRESSO Material original 35mm, BP, 11min, 300m, 24q Data e local de produção Ano: 1962 País: BR Cidade: Rio de Janeiro Estado: GB Sinopse ...

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Comentário de Anderson Nascimento em 12 fevereiro 2013 às 22:44

Excelente postagem Edson.
O vídeo do Ministério da Educação e Cultura que através do Instituto Nacional de Cinema Educativo nos apresentou esta produção tão “singela” e curiosa cujo título: “Condenados pelo Progresso” nos é bastante peculiar quando o assunto é ferrovia, aliás, o vídeo, apesar de antigo, provavelmente foi bastante utilizado até os anos 90. Com tomadas de uma localidade isolada, tenta convencer seu público alvo do abandono ferroviário consciente e realizado para melhorar a vida da população, realmente curioso. Não menos traumático, é a narrativa que vem “explicar” o tal abandono consciente. Com um título tão sem sentido e coerência quanto o que sustenta o pavilhão nacional, o vídeo foi criado, idealizado, encomendado, forjado e esculpido (ou será cuspido?) a mais de cinco décadas, provavelmente, imagino, pelos pais daqueles que no meio da década de noventa terminaram por destruir por completo a RFFSA. É claro que tudo em favor do PROGRESSO tão “perseguido” por estas terras. Não é difícil imaginar que a baixa qualidade das informações e o modo simplificado da apresentação dos fatos relatados na produção, não levou em conta, que em algum momento, qualquer um que viesse a assistir tal vídeo pudesse ter a capacidade de percepção / entendimento de que tudo foi feito para induzir a opinião. Absolutamente!
Na verdade, tinham a absoluta certeza que os cidadãos desse país, infelizmente, em sua maioria, idiotizados e incapazes de criticar coisa alguma, mesmo sendo algo tão explicitamente medíocre, passariam a acreditar e tomar o relato como verdade. Não é preciso ser perito em transportes, logística ou qualquer outra coisa para perceber que o vídeo em questão está desenhado para induzir a opinião alheia, o que convenhamos não é muito difícil pelo nosso país afora e até mesmo pelo mundo. Atualmente, vivemos a era da informação, tudo em tempo real, no entanto, a quantidade de informação é tão grande que muitos, a maioria, não as interpreta, analisa ou reflete, entretanto, tira conclusões! Erro fatal. A informação é como uma refeição, deve ser “cheirada”, “provada”, “mastigada” (várias vezes), “digerida”, para só depois ser “absorvida”. Porém, para a tristeza dessa nação, quase ninguém mais faz isso, deve ser um efeito colateral do tal progresso. Atualmente, alguns de nós, sabemos que abdicar das ferrovias foi um equívoco que trouxe um atraso histórico a este país em desenvolvimento, pelo menos dizem que está se desenvolvendo, e este é um ponto crucial, apenas alguns sabem e apenas alguns lutam por isso. A sensação do caótico nos assalta a cada passo da vida cotidiana. Corriqueiramente vemos pessoas cujo procedimento de hoje está em completa e absoluta contradição com o de ontem, e certamente se tornará contraditório com o de amanhã. Indivíduos, em uma mesma frase, apresentam convicções que a lógica aponta como incompatíveis uma com a outra. É raríssimo encontrarmos pessoas que, ao longo de tudo quanto pensam, dizem e fazem, se manifestam coerentes com alguns tantos princípios fundamentais. Apreciando tal quadro, tais indivíduos podem ser divididos em três grupos principais:
a) Uns – os menos numerosos – compreendem, admiram e aplaudem a coerência. Por isto, estigmatizam o ilogismo ambiente e lhe imputam os piores frutos presentes e futuros;
b) Outros fecham os olhos para o fato e, quando este lhes entra pelos olhos adentro, procuram justificá-lo: a contradição seria, segundo eles, a ruptura necessária do equilíbrio ideológico de outras eras, o efeito típico do tumultuar fecundo das épocas de transição; por isto, ela não produz desastres senão na epiderme da realidade, e tem de ser vista, em última análise, com benigna e sorridente indulgência. O grupo de indivíduos que pensa deste modo já foi maior, mas com os acontecimentos decorrentes de tal comportamento, vão rareando os que conseguem sustentar a despreocupação risonha e benigna de outrora;

Comentário de Anderson Nascimento em 12 fevereiro 2013 às 22:44

continuando...

c) Nosso terceiro grupo, é também o mais numeroso, são aqueles indivíduos que suspiram diante da contradição caótica de nossos dias, aturdem-se... mas não passam disso. Mudar de posição lhes parece impossível. Pois se a contradição os assusta, por outro lado, implicam, do mais fundo de sua alma, com a coerência. Eles gostariam de prolongar, contra ventos e marés, seu mundo agonizante que resulta do “equilíbrio” de idéias contraditórias, as quais se “moderam” umas às outras em amável coexistência. E como, para esse grupo, as idéias são feitas para pairar no ar, sem relação com a realidade, não há, segundo eles, o menor risco de que esse “equilíbrio” de contradições venha a se romper algum dia com prejuízo para a pacata e boa ordenação dos fatos. Este grupo vive sobre constante terror: de um lado, o caos que lhe entra como um tufão pela casa e pela vida adentro, e de outro lado uma coerência que lhe parece correta no plano da lógica, mas espetada, desalmada, e numa palavra, desumana. Estarrecidos, diante da opção, os indivíduos deste grupo param. E ficam a suspirar, de braços cruzados, na espera obstinada de alguma coisa que faça cessar o caos, sem que se tenha que implantar o reinado da coerência.
Para concluir, produções como esta são construídas em escala quase industrial para todas as áreas e situações, basicamente, para os indivíduos do terceiro grupo. Nosso caos ferroviário é um exemplo clássico da inércia de indivíduos incapazes de sair de sua “zona de conforto” para, pelo menos, questionar as atitudes e os atos que foram cometidos contra um patrimônio que era de todos. Hoje carregamos o fardo do abandono às ferrovias que pôs em xeque todos aqueles que levantaram a bandeira da destruição das mesmas, mas ainda convivemos com a mais completa omissão de uma sociedade incapaz de observar os prejuízos que a cerca.

Comentário de Osni Gonçalves em 12 fevereiro 2013 às 21:35

Tanto que dava prejuízo que a ALL comprou a concessão da ferrovia e esta "lavando a égua" de ganhar dinheiro hoje. Os políticos vagabundos da época venderam o que era do povo. Nos países do primeiro mundo o transporte ferroviário existe até hoje e é muito utilizado: Inglaterra, EUA, Canadá, Alemanha, França, Japão, Austrália e Espanha. O governo fez aconchavo com as chamadas "Sete Irmãs ou Sete Irmãs do Petróleo", que é o apelido dado às sete maiores companhias de petróleo transnacionais, que dominaram o mercado petrolífero internacional até os anos 1960, pois era do interesse dela engolir o mercado de transporte terrestre onde poderia vender mais gasolina, e assim aumentar seus lucros Gostaria de saber quanto os homens do governo ganharam de propina na época, uma vez que o regime era militar, onde as coisas eram feitas às escondidas e o povo não podia por a cara!
Hoje todos estamos colhendo os frutos dessa desgraça, com a poluição a mil, transporte caro, frete exorbitante, aumento de acidentes nas estradas com muitos caminhões para transportar uma merreca de mercadoria sendo que um único trem transportava por mais de 200 caminhões em um só comboio (uma só viagem.
A quem interessava acabar com os trens? 
Ao cartel formado pelas "sete irmãs".

As companhias que formaram este Cartel eram:
Royal Dutch Shell. Atualmente chamada simplesmente de Shell.
Anglo-Persian Oil Company (APOC). Mais tarde, British Petroleum Amoco, ou BP Amoco. Atualmente é conhecida pelas iniciais BP.
Standard Oil of New Jersey (Esso). Exxon, que se fundiu com a Mobil, atualmente, ExxonMobil.
Standard Oil of New York (Socony). Mais tarde, Mobil, que fundiu-se com a Exxon, formando a ExxonMobil.
Texaco. Posteriormente fundiu-se com a Chevron, formando a ChevronTexaco de 2001 até 2005, quando o nome da companhia voltou a ser apenas Texaco.
Standard Oil of California (Socal). Posteriormente formou a Chevron, que incoporou a Gulf Oil e posteriormente se fundiu com a Texaco.
Gulf Oil. Absorvida pela Chevron, posteriormente ChevronTexaco.
Assim, as sete irmãs tornaram-se apenas quatro: ExxonMobil, ChevronTexaco, Shell e BP.

As sete maiores companhias petrolíferas do mundo na atualidade são empresas nacionais estatais ou semi-estatais, que competem entre si e com as demais companhias petrolíferas.
O pontapé final na RFFSA - Rede Ferroviária Federal S/A, para desativá-la foi feita pelo então presidente do Brasil Ernesto Geisel.

Comentário de luis eduardo alves da vitoria em 7 janeiro 2013 às 11:49

O vídeo deixa bem claro as intenções dos governantes: erradicar os "ramais deficitários"... Provavelmente os que criaram esse vídeo e que viam a rodovia como uma maravilha ficariam horrorizados vendo os intermináveis acidentes e congestionamentos de hoje em dia... a questão toda foi resolvida devido a questões pura e simplesmente econômicas que, apesar de tanto tempo, ainda pesam a favor de transportes rodoviários (em algumas situações) mesmo com o atual caos. Esperamos que alguém no governo abra os olhos!!!

Comentário de Johnny Sandro em 9 dezembro 2012 às 18:31

Um erro que nos custou muito caro, se hj tivessemos tudo em perfeitas condições, muitas vidas seriam salvas, muita coisa seria bem melhor!!!!

Comentário de Edson Lanznaster em 9 dezembro 2012 às 18:04

 Concordo com você Amaury.Altos interesses para sucatear as ferrovias.

Comentário de Amaury Antunes de Abreu em 9 dezembro 2012 às 16:41

Caro Edson.

Parabéns pelo vídeo, pelo que vemos, o ataque a RFFSA não é de hoje. Naquela época não se imaginava que as estradas matariam tanto como hoje carretas pesadas, motoristas alcoolizados drogados com super jornadas enfim todos sabem como andao caos do progresso hoje. Tai o motivo para reativarem o transporte de cargas e passageiros em um sistema seguro e confiável como as ferrovias... Abçs.

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