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A HISTÓRIA DA CENTENÁRIA FERROVIA PARANAGUÁ - CURITIBA

A HISTÓRIA DA CENTENÁRIA FERROVIA PARANAGUÁ - CURITIBA

Conhecida por abrigar um dos 10 passeios sobre trilhos mais bonitos do mundo, de acordo com o jornal inglês The Guardian, a Ferrovia Paranaguá - Curitiba possui um valor histórico sem igual para o Estado do Paraná.

Situada em meio à maior área contínua preservada de Mata Atlântica do país, seu trajeto conta com 108,2 km de extensão, ligando a capital paranaense à cidade de Paranaguá, onde está localizado um dos principais portos da região sul do Brasil.

Seu trajeto, além de paisagens deslumbrantes, conta com 41 pontes, dezenas de pontilhões, 13 túneis e marcos da engenharia, como o Viaduto do Carvalho e a Ponte São João, que possui 113 m de comprimento e um vão livre de 70 m.

Ficou curioso para conhecer mais sobre essa história, que começou lá na época do Império e envolveu diversos fatos marcantes e figuras importantes do Brasil? Então embarque nessa viagem de volta ao passado!

A CONSTRUÇÃO DA FERROVIA PARANAGUÁ-CURITIBA

Considerada uma das maiores e mais ousadas obras da engenharia nacional, a construção da estrada de ferro Paranaguá-Curitiba teve início em 5 de junho de 1880.

Devido à sua alta complexidade, os trabalhos foram executados por milhares de homens em três trechos simultâneos: entre Paranaguá e Morretes (42 km), entre Morretes e Roça Nova (38 km) e entre Roça Nova e Curitiba (30 km).

Cerca de cinco anos depois as obras foram finalizadas e, em 5 de fevereiro de 1885, a Ferrovia Paranaguá-Curitiba foi totalmente aberta para o tráfego de trens, representando o principal canal de escoamento de cargas e mercadorias do Paraná.

Irmão Rebouças: Onde tudo começou

A origem da Ferrovia Paranaguá – Curitiba está diretamente atrelada aos irmãos Rebouças, os primeiros engenheiros negros do Brasil. Filhos de pai autodidata e netos de escrava alforriada, casada com um alfaiate da corte portuguesa, eles tiveram a oportunidade de estudar na Europa e especializar-se em engenharia no Rio de Janeiro em pleno período de escravidão.

Foi em 1865, que André Rebouças, observando um mapa, notou que a cidade de Antonina, situada no litoral paranaense, ficava na mesma linha de Assunção, no Paraguai. Neste momento, como um visionário em termos de logística e engenharia, ele teve a inspiração de construir uma estrada que ligasse as duas cidades, o que contribuiria significativamente para o desenvolvimento econômico da região.

Na época, a ideia não prosperou por conta da guerra da Tríplice Aliança, onde Brasil, Uruguai e Argentina lutavam contra o Paraguai. Mas, anos depois, senhores do mate e políticos voltaram a argumentar sobre a necessidade que tinham de levar a erva mate para o litoral, uma vez que o transporte terrestre era limitado aos animais de carga e que não existia nenhuma estrada que ligasse Curitiba à Costa.

Por isso, em 1873, Antônio Pereira Rebouças Filho, irmão de André Rebouças, entregou ao presidente da província do Estado do Paraná, o projeto de construção da Estrada de Ferro Dona Isabel, uma ferrovia que ligaria a cidade de Antonina à capital Curitiba, seguindo o mesmo traçado idealizado em 1865.

Infelizmente, Antônio Rebouças faleceu de malária no ano seguinte, em 1874, e o projeto então passou para as mãos de Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, empreendedor brasileiro que construiu a primeira ferrovia do Brasil, ligando o Rio de Janeiro a Petrópolis.

A Ferrovia e sua relação com o Império

Em 1875, houve uma disputa local entre Antonina e Paranaguá e, por decreto imperial, ficou decidido que a ferrovia não mais partiria de Antonina, como definido no projeto inicial, mas, sim, de Paranaguá.

O início das obras ocorreu com a presença do Imperador Dom Pedro II, que lançou a pedra fundamental da construção em Paranaguá, no dia 05 de junho de 1880.

Atendendo a um pedido especial dos irmãos Rebouças, ele proibiu a utilização de mão de obra escrava na construção da ferrovia. Se houve algum escravo trabalhando na construção, ele foi remunerado pelos serviços prestados. Os principais trabalhadores eram imigrantes poloneses, alemães e italianos.

Em 1883, o trecho que liga Paranaguá a Morretes foi totalmente concluído e inaugurado.

Em 1884, a Ponte São João foi montada e a Princesa Isabel, junto com a comitiva real, fez a viagem completa de Paranaguá a Curitiba, no dia 16 de novembro.

Em fevereiro de 1885, a ferrovia finalmente foi inaugurada e o tráfego aberto a todos os trens, exercendo, até os dias de hoje, um papel fundamental para o transporte de cargas e mercadorias no Paraná.

APRENDA AINDA MAIS SOBRE ESSA HISTÓRIA!

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Ligando Curitiba à charmosa cidade de Morretes, os passeios de trem turístico operados pela Serra Verde Express permeiam paisagens deslumbrantes, enquanto guias altamente qualificados reconstituem os momentos mais marcantes desta estrada de ferro com mais de 100 anos de história. São lembranças para toda uma vida!

 

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