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Em meio à crise, França transforma trem-bala em hospital móvel

Em meio à crise, França transforma trem-bala em hospital móvel

A mais recente arma da França na luta contra o coronavírus (COVID-19) é um trem-bala. Na última quinta-feira (26/03), o governo francês adaptou um TGV (do francês, Train à Grande Vitesse) de cinco carros para servir de hospital móvel. Seu objetivo é transportar pacientes da região mais atingida pela pandemia para hospitais com mais capacidade, aliviando o estresse sobre os recursos.

Equipado com ventiladores e contando com uma equipe médica, o trem transportou em sua primeira viagem 20 pacientes das cidades de Estrasburgo e Mulhouse, na região Nordeste do país (“Grand Est”) para hospitais localizados em Loire, atualmente menos afetada.

Hospital sobre trilhos

Existem boas razões para levar a luta contra o COVID-19 para os trilhos. A França – como várias outras nações europeias – instituiu um bloqueio que impede todas as viagens não essenciais entre as cidades.

Transformar o TGV em uma ampla ambulância de alta velocidade oferece aos profissionais de saúde um ambiente mais espaçoso e, portanto, mais seguro para trabalhar.

De acordo com o site NPR, cada carro de passageiros pode acomodar quatro pacientes e possui uma equipe médica composta por um médico intensivista, um anestesista, um interno e três enfermeiras. No total, existem aproximadamente 50 funcionários a bordo.

O trem pode chegar ao seu destino com mais rapidez e facilidade do que um veículo rodoviário. Além disso, pode transportar um número maior de pessoas se comparado a um helicóptero, por exemplo. Embora não esteja operando em sua velocidade máxima, o TGV poderá fazer a viagem de 800 quilômetros de Estrasburgo, perto da fronteira com a Alemanha, até Angers –  cerca de 320 quilômetros a sudoeste de Paris – em cinco horas.

Do TGV à UE: Todos unidos por um bem maior

 

Outro motivo para a França aderir ao trem hospitalar é a distribuição desigual dos casos do COVID-19. Com mais de 40 mil casos confirmados em todo o país (contabilizados até o último domingo), o Grand Est tem a maior incidência per capita de coronavírus do que qualquer outra região francesa, ultrapassando até Paris.

Também é importante frisar que a Empresa Ferroviária Nacional Francesa SNCF também anunciou que está oferecendo viagens gratuitas para médicos franceses. Hotéis também estão sendo utilizados para abrigar a equipe médica durante a pandemia.

Seus hospitais já estão em fase de crise há algum tempo, chegando ao ponto em que os médicos encontram-se forçados a tomar decisões dolorosas sobre quem podem ou não tratar. Mover pacientes para regiões menos afetadas será um ato de reequilíbrio que salvará vidas.

Felizmente, essas ações já estão acontecendo, em parte graças aos vizinhos da União Europeia (UE). Hospitais na Alemanha, Suíça e Luxemburgo, que fazem fronteira com a região e têm um número menor de casos relatados, estão aceitando pacientes críticos. Essas medidas podem reduzir a pressão sobre o sistema de saúde local – normalmente com alto funcionamento –, mas com excesso de casos, no Grand Est.

Essa demonstração de solidariedade entre os membros da UE com a implementação do sistema TGV francês, mundialmente famoso, para salvar vidas está trazendo mais conforto e esperança à população local. A pandemia pode ter fechado fronteiras e restringido milhões de pessoas ao isolamento, mas mesmo em um período em que muitos de nós vivemos com medo, a cooperação internacional e  até mesmo regional continua viva.

E você, o que achou desta iniciativa? Deixe seu comentário! :)


 

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