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Que animais podem viajar de trem?

Que animais podem viajar de trem?

A relação dos animais com o transporte ferroviário é muito antiga: antes mesmo da invenção da primeira locomotiva, animais de grande porte eram usados para puxar os pequenos vagões que carregavam materiais vindos das minas. Mas antes de falarmos disso, faremos um pequeno apanhado sobre os primeiros trens.

Inglaterra, 1814, Revolução Industrial. George Stephenson presenteia o mundo com algo que mudaria completamente nossa visão de transporte. A locomotiva, batizada como Blucher, destinava-se a transportar materiais das minas, deslocando-se a uma velocidade de 6 km/h e tinha a capacidade para até 30 toneladas. Alguns anos depois, esse protótipo de trem já tinha sido substituído por uma verdadeira maria-fumaça que fazia até 30 km/h.

A partir disso, o transporte ferroviário evoluiu, revolucionando o mercado, a indústria e o transporte do mundo inteiro. E quando falamos em transporte, não falamos apenas de minérios, grãos e terras, mas também de carga viva.

Tração Animal 

Até o século XVII, a tração animal era a opção mais fácil e econômica para transportes de cargas. Os animais serviam para montar, movimentar máquinas estacionárias, levar mercadorias e arar a terra. Os mais utilizados na tração animal eram cavalos, burros, mulas, jumentos, bois e búfalos, que carregavam pequenos vagões com minérios em trilhos de madeira com poucos quilômetros de extensão. Essa prática não era novidade para a época: desde a Grécia, em 600 a.C. já se usava tração animal em trilhos para transportes de cargas. 

Animais de Circo

Uma outra relação dos animais com o transporte ferroviário ocorreu quando as linhas férreas já estavam consolidadas, na época em que os grandes circos faziam sucesso e viajavam pelo mundo com seus trens, levando grandes atrações – muitas das quais contavam com a participação de animais no espetáculo. O primeiro circo a possuir um trem foi o grande Barnum & Bailey Circus, que tinha mais de 60 vagões. Os animais que costumavam ser transportados por esses tipos de trens eram de grande porte, como elefantes, girafas, leões, tigres e cavalos. As características de cada vagão mudavam de acordo com o animal transportado, mas o maior desafio eram os tigres e leões, que além de serem grandes e fortes, apresentavam ameaça direta aos seres humanos que lidavam com eles. 

Transporte de gado

Antes dos caminhões e aviões se popularizarem e se tornarem os meios de transporte mais comuns no agronegócio, os gados eram transportados por meio das estradas de ferro. Por muito tempo se fizeram longas viagens de trem com  vagões carregados de gados e outros animais utilizados na pecuária – existe até um vagão específico para esse tipo de transporte, o chamado “vagão gaiola”. A principal diferença desse vagão é que ele não é totalmente fechado, mas possui pequenas frestas por onde entram ar e luz, deixando os animais que estão sendo transportando mais calmos. 

Pets nos trilhos 

Até 2019, existia uma grande burocracia em relação ao transporte de pets dentro dos carros de passageiros, e eles tinham que ser levados dentro de caixas de transportes durante toda a viagem. A partir de Outubro daquele ano, a Serra Verde Express mudou todo esse processo, lançando o primeiro vagão pet friendly do Brasil, o Vagão Bove. O nome foi dado em homenagem ao consagrado médico veterinário paranaense Sylvio Bove.

No vagão, os pets podem andar livremente fora das caixas de transportes; além disso, ele conta com poltronas exclusivas para os bichinhos, com tecido impermeável. No centro do vagão, temos uma varanda panorâmica que oferece um espaço com tapetes e potes de água para os bichinhos se refrescarem durante o passeio até Morretes. É necessário a autorização do veterinário e manter a carteira de vacinação do animal em dia para viajar. O Vagão Bove tem capacidade para até 28 pessoas e 8 poltronas para pets, porém animais de pequeno porte podem viajar no colo do dono. O serviço de bordo também contempla os pets.  

Por muito tempo os animais tiveram uma relação não benéfica com os trens, mas o Vagão Bove é um dos maiores sinais de que isso está mudando, não só em relação a trens de passeio, mas a metrôs e trens-bala também, que passaram a respeitar o transporte de animais que fazem parte do nosso dia-a-dia. A perspectiva para o futuro é que isso só melhore, sempre respeitando aqueles que também fazem parte do planeta.


 

Amantes da Ferrovia
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