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A última viagem do Barão do Serro Azul

A última viagem do Barão do Serro Azul

Ildefonso Pereira Correia, mais conhecido como o Barão do Serro Azul, nasceu em Paranaguá em 1849. Foi um grande empresário paranaense e um dos fundadores da Associação Comercial do Paraná. Não contente com o cenário político da época, decidiu se aventurar na política.

As heranças empresariais 

Apesar de ser formado na área de Humanas, fez sua carreira no setor comercial. Herdou e atuou no ramo ervateiro de Curitiba, tornando-se um dos primeiros empresários a investir na mecanização a vapor dos engenhos de mate para melhorar a qualidade dos produtos. Não demorou para sua marca ser reconhecida em terras internacionais, e seu empreendimento ser tido como o maior exportador de erva-mate do Brasil e ser considerado, na época, o maior produtor do mundo. 

Era uma grande influência no setor industrial da época e decidiu ampliar seus horizontes, construindo três madeireiras com o propósito de reinventar o ramo madeireiro brasileiro, principalmente com a substituição do consumo de pinho importado para pinho nacional. 

Os investimentos assertivos renderam uma boa fortuna ao empresário, que fez parte do quadro de acionistas da Companhia Ferrocarril de Curitiba − a primeira empresa de transporte público puxado por animais da região. 

No mesmo período, fez sociedade com a empresa Impressora Paranaense (IP), com o objetivo de melhorar a impressão dos rótulos e embalagens de sua marca de ervas, mas como um visionário incorrigível, começou a prestar serviços para outras empresas, tornando-se líder no ramo gráfico em Curitiba e região.

Muitos o comparavam com o famoso Visconde de Mauá – construtor da primeira ferrovia do Brasil – por ter um pensamento à frente do seu tempo no setor comercial.

O Barão, a Política e sua última viagem 

Filho de um Tenente-coronel envolvido com a política, Ildefonso cresceu num ambiente tomado pelos assuntos políticos e causas sociais. Tornou-se um grande nome na luta abolicionista, sendo um dos fundadores de uma instituição que comprava as cartas de alforria dando liberdade aos escravos. Atitudes como essa o fizeram receber o título de Barão pela princesa Isabel em 1888.

Em 1882, elegeu-se deputado provincial e depois de seis anos assumiu o governo da província. Pouco tempo depois uma força tomava as ruas do Rio Grande do Sul, a chamada Revolta Federativa (que durou de 1893 a 1895) em que um grupo opositor – os maragatos – lutava contra a política instituída pelo governante da época. Essa revolução afetou os três estados do Sul, e o Barão do Serro Azul teve seu papel nessa história, impedindo a invasão dos rebeldes federalistas em Curitiba. Para muitos, uma atitude heróica, mas para os líderes de Estado, foi considerado um traidor.

Foi preso junto com mais cinco companheiros, e tiveram as mortes ordenadas pelo general Ewerton de Quadros, que armou uma emboscada pela madrugada, sob o pretexto de os seis prisioneiros serem julgados no Rio de Janeiro. Foram levados para a estação ferroviária de Curitiba com destino a um navio atracado em Paranaguá, já que na época, o transporte mais rápido entre Curitiba e Rio era feito pelo mar.

O trem que os levava parou no Km 65 da estrada de ferro Curitiba-Paranaguá, perto do despenhadeiro do Pico do Diabo na serra do mar onde, ao contrário do julgamento prometido, foram arremessados para fora do vagão pelos soldados, que seguiram viagem.

Ainda hoje a tragédia é lembrada no trajeto da linha férrea Curitiba-Morretes, onde há uma cruz no local da morte. Como forma de homenagem, a empresa que opera o trecho batizou um de seus carros de luxo com o nome do personagem histórico. Histórias à parte, o carro dá ao passageiro uma sensação de contato com a natureza, além de possuir uma exclusiva varanda climatizada, engrandecendo a experiência pela Serra do Mar. 

É um passeio imperdível para amantes de trens e da história. Quem deseja saber mais pode conferir o filme “O Preço da Paz”, que é baseado no livro de Túlio Vargas e conta com riqueza de detalhes a vida do Barão do Serro Azul.

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